A reforma tributária brasileira, com a criação da CBS e do IBS, introduz uma mudança relevante na lógica de apuração dos tributos ao adotar a não cumulatividade plena. Nesse modelo, o imposto pago ao longo da cadeia gera créditos que podem ser compensados nas etapas seguintes, reduzindo distorções e ampliando o papel do aproveitamento de créditos na eficiência tributária.
Na prática, insumos, serviços e investimentos passam a gerar créditos recuperáveis, enquanto a folha de pagamento não acompanha essa mesma dinâmica. Como consequência, empresas com maior capacidade de geração de créditos tendem a apresentar menor carga tributária efetiva, enquanto estruturas intensivas em mão de obra podem enfrentar um impacto maior.
Mais do que uma mudança técnica, esse novo modelo altera os incentivos econômicos e pode influenciar decisões empresariais, como a forma de estruturar operações, contratar serviços ou investir em tecnologia. A eficiência tributária passa a ser um fator ainda mais relevante na tomada de decisão.
Nesse cenário, o papel do contador se torna estratégico. Cabe ao profissional interpretar a lógica dos créditos, avaliar impactos na estrutura de custos e orientar empresas diante de um ambiente em transformação.
A implementação da CBS e do IBS, portanto, não apenas redefine a forma de tributar, mas também introduz uma nova lógica que tende a influenciar a dinâmica dos negócios.

